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Verticalização sem controle trava Vetor Sul da Grande BH

A escassez de terrenos vagos em Belo Horizonte e a permissividade do plano diretor de Nova Lima ameaçam transformar parte do “Vetor Sul” da região metropolitana em um grande paliteiro de torres residenciais. No município vizinho à capital, a verticalização avança sobre o Vale do Sereno, área com resquícios de mata atlântica, impactando principalmente o trânsito.
 
A Prefeitura de Nova Lima reconhece que a legislação com os limites construtivos na área é permissiva, mas diz que o plano diretor está em revisão. Até que venha a mudança, porém, o adensamento continuará causando congestionamentos em horário de pico, desabastecimento de água e energia elétrica, perda paisagística e destruição do meio ambiente.
 
Segundo a prefeitura de Nova Lima, 18 grandes empreendimentos foram aprovados desde 2007, sendo apenas um em 2013, no Vale do Sereno. Outros dez pedidos de construção estão em análise. No local, três grandes torres em obras, com mais de 25 andares, se destacam na paisagem verde.
 
O inchaço é comprovado pelo aumento populacional e de veículos. Segundo o IBGE, em 2000, Nova Lima tinha 64,3 mil habitantes. Em 2013, já eram 87,3 mil. Em uma década, a frota de veículos quase triplicou, passando de 13,6 mil, em 2003, para 39,1 mil no ano passado, conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em BH, o salto foi de 765 mil unidades para 1,57 milhão.
 
Engarrafamentos
 
Morador do Vale do Sereno há dez anos, o aposentado Wilde Diniz Reis, de 75 anos, se mudou para o bairro buscando tranquilidade. Agora, não sai de casa antes das 9 horas para evitar congestionamentos. 
 
Para o presidente da Associação de Moradores do Bairro Belvedere, em BH, Ricardo Jeha, o trânsito no local já é ruim e a tendência é piorar com os novos empreendimentos. “Precisamos de outras vias de escoamento. Não há trincheira ou alça na BR-356 que aguente. Sofreremos o mesmo que já acontece no bairro Buritis”, afirma.
 
Consultor em trânsito e transporte, Silvestre Andrade Filho diz que as vias de BH não estão preparadas para mais veículos. “É preciso investir em transporte público de qualidade, expandir o metrô até o Belvedere e criar novas ligações, como a alça leste do Anel Rodoviário”.
 
Sem perspectiva de desaceleração
 
Além do trânsito, outros problemas também surgem com o adensamento acelerado do Vale do Sereno e região, na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima. Para o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB/MG), Kênio de Souza Pereira, a tendência é a de que a verticalização continue. 
 
Kênio explica que não há mais lotes vagos em BH para novos empreendimentos e, por isso, a ocupação do Vetor Sul é natural.
 
Para o arquiteto e urbanista da UFMG Flávio Carsalade, o crescimento é em Nova lima, mas as quem sofre as consequências é Belo Horizonte. 
 
“Há impacto na mobilidade urbana, na paisagem e nos serviços. Além disso, a fronteira das cidades se estende. A longo prazo, é possível inclusive uma desvalorização imobiliária”, afirma.
 
Diante da expansão dos prédios residenciais, até a Cemig e a Copasa tiveram que fazer investimentos no local.
 
A Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (ARMBH) informou que o Governo do Estado aguarda a aprovação do Projeto de Lei 3.078/12, que tornaria o Vale do Sereno zona de interesse metropolitano, autorizando, assim, o órgão a intervir na destinação do uso e ocupação do solo no local.
 
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