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Minas Gerais possui déficit habitacional de 557 mil moradias


Há 42 anos, a dona de casa Rosilene Dezidere reside no mesmo endereço: um barracão na BR-381, próximo ao bairro Nazaré, região Nordeste de Belo Horizonte. O chão é de terra batida e as divisões entre os dois cômodos é de argila ou madeirite. Recentemente, as paredes da “sala” caíram, deixando a casa onde mora com o marido, filha e quatro netos exposta para qualquer pessoa que passe pelo Anel Rodoviário. “A cada dia a condição parece piorar. Meu maior sonho é sair daqui”.
 
A situação vivida pela dona de casa é uma amostra da realidade de milhares de famílias mineiras. Segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro, baseada em dados do Censo de 2010, o déficit de moradias no Estado é de 557 mil. Significa que, naquele ano, esse era o número aproximado de famílias que viviam em más condições – seja em moradias precárias ou com aluguéis caros demais.
 
Coordenadora do projeto que foi desenvolvido em cada um dos 5.565 municípios brasileiros, Adriana Ribeiro explica que, ao contrário do que muita gente pensa, o conceito de déficit habitacional não significa falta de moradias. “Para nós, pesquisadores, o termo inclui quatro componentes: habitações precárias, famílias que dividem o mesmo domicílio, residências com adensamento e até famílias que comprometem mais de 30% da renda com o aluguel”.
 
Capital
 
E, nesses quesitos, Belo Horizonte se destaca como a cidade mineira com o maior déficit habitacional. Exatas 78.340 moradias se enquadraram em um dos critérios utilizados na pesquisa.
 
Comparando com cidades como São João do Arraial, no Piauí, onde 80% das famílias vivem em más condições, o número pode parecer irrelevante. “No entanto, solucionar o problema nesse pequeno município é muito mais fácil do que em uma capital. Enquanto a construção de mil residências amenizaria bastante a situação na cidade, essa mesma quantidade de casas faria pouca diferença em BH”, afirma Adriana.
 
Apenas levantar novas casas, de fato, não adiantaria, opina Sérgio Myssior, vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG). Para ele, as grandes cidades dependem de uma política pública mais consistente para reduzir o déficit.
 
“Não adianta tirar as pessoas de uma moradia precária e colocá-la em um bairro distante. É melhor levar infraestrutura para onde ela está”, afirma. Além disso, é preciso que BH deixe de ser o grande centro econômico. Hoje, as pessoas de baixa renda acabam se mudando para as cidades vizinhas e perdem horas no deslocamento de casa para o serviço.
 
Estudo ajuda nas políticas públicas
 
Em passos lentos, o déficit habitacional no Brasil parece regredir, afirma a pesquisadora Adriana Ribeiro. Para acelerar o processo, estudos como esse são repassados aos governos que podem desenvolver políticas públicas mais direcionadas.
 
Em BH, programas como o Vila Viva (que urbaniza assentamentos irregulares) e o BH Morar (semelhante ao Minha Casa, Minha Vida, do governo federal) foram desenvolvidos pela prefeitura com esse propósito, diz Maria Cristina Magalhães, diretora de planejamento da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel).
 
No âmbito estadual, o Lares Geraes – Habitação Popular se tornou referência de política governamental de combate ao déficit habitacional no país, segundo a Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab).
 
Interior
 
Em Montes Claros, no Norte de Minas, 10.760 moradias estão incluídas em um dos quatro critérios utilizados na pesquisa da Fundação João Pinheiro. A contadora Janilde Almeida Silva, de 39 anos, faz parte desse número.
 
Há dez anos, ela tenta com o marido comprar um imóvel. Hoje, a família compromete 30% da renda, de aproximadamente cinco salários mínimos, para pagar o aluguel. “Nós gastamos mais com o aluguel do que qualquer outra despesa”, reclama Janilde.

* Com Gabriela Sales
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