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Casas históricas do vilarejo do Biribiri à venda em Diamantina

O cenário da pacata Vila do Biribiri, localizada a dez quilômetros de Diamantina, na região Central de Minas Gerais, está prestes a mudar. Trinta casas construídas ainda no século XIX e abandonadas por décadas estão ganhando novos moradores. Uma mudança e tanto para um vilarejo que, incrivelmente, só contava com duas famílias habitantes até pouco tempo atrás.

Idealizado pelo arcebispo João Antônio Felício, o local foi fundado em 1876 para abrigar uma fábrica de tecidos – a Estamparia S/A, pertencente à família Mascarenhas – e acolher mulheres pobres do Vale do Jequitinhonha. Nos anos áureos, chegou a ter mais de mil moradores que, com o passar do tempo e o fechamento da indústria, foram se mudando para lugares mais urbanizados.

As construções, no entanto, resistem no local. E, mesmo que deterioradas, ainda mantém características originais, como as cores branco e azul. Agora, os imóveis estão à venda.

O responsável pelos negócios é o corretor Roosewelt Gonçalves. “A ideia era vender a vila inteira para uma só pessoa, mas ninguém estaria disposto a investir R$ 10 milhões em imóveis vazios há mais de 40 anos”, explica. A alternativa, então, foi vender as casas individualmente.

Com 60 a 100 metros quadrados, o valor das residências varia de R$ 110 mil a R$ 210 mil. Mesmo com estragos provocados pela ação do tempo, têm atraído muitos compradores. “Já fechei mais de 15 negócios. O investimento é feito porque as pessoas têm um vínculo com esse lugar e desejam preservá-lo. Não necessariamente estão pensando nas condições da casa”, diz o corretor.

Entre os que fazem planos de se mudar está Juscelino Brasiliano, de 50 anos, que trabalha em projetos sociais na cidade. “Visito Biribiri com minha família há anos. É um lugar de paz e posso garantir que o investimento foi pequeno perto da satisfação”, afirma.

Obras devem seguir regras do Iepha para preservar o patrimônio

Apesar das boas intenções dos novos moradores da Vila do Biribiri,[/LEAD] a venda dos casarões esbarra em questões legais que podem inviabilizar o futuro dos negócios.

O vilarejo é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) desde 1998 e qualquer intervenção precisa passar pela avaliação do órgão. A medida é tomada para evitar a descaracterização de bens históricos.

O corretor Roosewelt garante que a regra foi seguida. Mas, segundo o Iepha, as obras começaram enquanto os projetos ainda estavam em análise. Agora, determinou a paralisação das obras que teriam sido iniciadas sem anuência do órgão de proteção.

Em nota, o Iepha esclarece que solicitou “a elaboração de um projeto de urbanização, tendo em vista que o bem tombado é um Conjunto Arquitetônico-Paisagístico e não somente casas isoladas”. Se a proposta seguir as diretrizes indicadas no processo de tombamento, a instituição dará início às analises das demandas isoladas dos novos proprietários.

A Vila do Biribiri também está na mira do Ministério Público Estadual (MPE). Coordenador regional das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri, Felipe Faria de Oliveira afirma que as vendas foram feitas de forma irregular. “Quando um bem é tombado, a lei prevê que seja dada preferência de aquisição ao próprio Estado. Não temos notícia de que isso ocorreu”.

Ele cita também que, como o local encontra-se em zona de amortecimento de uma unidade de conservação (o Parque Estadual do Biribiri), o loteamento deveria ser licenciado pelos órgãos ambientais responsáveis.

Uma reunião marcada para este mês – a data não foi definida – irá discutir o futuro da Vila do Biribiri com os envolvidos na venda e compra dos imóveis.

A importância cultural e histórica do vilarejo é reconhecida pelo secretário de Cultura, Turismo e Patrimônio de Diamantina, Walter Júnior. “Esse lugar teve um papel social muito importante. Ainda hoje conserva um potencial turístico muito grande”, comenta.

Cercado por montanhas e próximo a cachoeiras, a Vila do Biribiri também já serviu como cenário para várias encenações, como o filme A Dança dos Bonecos e a novela Irmãos Coragem.

Ao todo são 33 casas, das quais 30 estão à venda – outras três já estão ocupadas. Na vila ainda existem o imóvel da fábrica, uma escola, um clube e a única igreja em estilo rococó de Diamantina. 



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